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    Cancelamento de chip de celular neste ano indica que esquema de grampos ainda operava, diz magistrado

    7 de agosto de 2017 - Mato Grosso
    taques

    O cancelamento de um chip de celular, em maio deste ano, indica que os grampos clandestinos operados pela Polícia Militar ainda operavam mesmo após a denúncia do esquema, em outubro de 2015. A informação consta na sentença do desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando Perri, que determinou a prisão do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, por envolvimento no esquema. Ele está preso desde a sexta-feira (4) no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC).

    O governo disse, em nota divulgada após a prisão de Paulo Taques, que apoia as investigações sobre o caso e alegou que não comunga com os atos ilícitos.

    Na decisão, Perri alerta para a possibilidade de o grupo criminoso responsável pelo sistema interceptações clandestinas ainda estar na ativa. Para reforçar a tese, o magistrado cita as informações fornecidas por uma operadora de telefone.

    Segundo os dados, vários números utilizados como desvio para as escutas continuaram funcionando após a denúncia do esquema, feita à Procuradoria Geral da República (PGR) pelo então secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque, que é promotor de Justiça.

    A maioria desses números foi cancelada no ano passado. Entretanto, um dos terminais ficou ativo até o dia 9 de maio deste ano, “demonstrando, com isso, fortíssimo indício de que o malsinado grupo criminoso estava [ou ainda está] em plena atuação”.

    Segundo Perri, outro indício de que os grampos estariam “em pleno funcionamento” é o fato de que o ‘Sistema Sentinela’ – utilizado para prática dos grampos ilegais ainda não foi apreendido.

    “Os fatos criminosos vêm se sucedendo na linha do tempo, o que indica a alta probabilidade de o grupo, pelo poder [inclusive, hierárquico], continuar com os grampos ilegais, máxime porque, repita-se à exaustão, não se localizou a parafernália que os instrumentalizava”, como consta na decisão.

    O esquema dos grampos foi denunciado em uma reportagem do Fantástico em maio deste ano. Segundo a denúncia, mais de 100 pessoas tiveram as conversas grampeadas, entre elas, políticos de oposição ao atual governo estadual, advogados, médicos e jornalistas. Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas.

    Paulo Taques, que é advogado e primo do governador, Pedro Taques (PSDB), deixou o governo dias antes do esquema vir à tona. No entanto, para Perri, apesar de não exercer mais o cargo de secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques ainda tem grande prestígio no estado.

    “Paulo Taques goza de grande prestígio no âmbito do Poder Executivo estadual, não apenas pelo grau de parentesco mantido com o governador [primo], mas, também, por ter sido, durante anos, seu homem de confiança”, diz, no mandado de prisão.

    Além do ex-secretário, estão presos por envolvimento no esquema o coronel Zaqueu Barbosa, os coronéis Evandro Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, e o cabo Gerson Correa Junior. Eles foram presos entre maio e junho deste ano.

    Por G1Mt